6 de maio de 2009

Poetas da/para a (riscar o que não interessa) Rua

Poesia Musical volta com os Sp & Wilson, esses poetas de rua que inundam o panorama nacional poético com rimas de alta qualidade lírica. Apresentamos aqui a música com o tocante título Arrebenta com a a participação especial de Raptor, mais um dos aspirantes a sucessor de Saramago como Nobel português da literatura. Sendo uma composição poética bastante extensa, vão ser transcritas apenas algumas passagens:

"Hip-hop tuga escuta agora o beat toca, quando o beat toca
Te provoca moca tipo cocacom
Trola a colaboração de beats pesados que te deixam pálido
Tipo, usas mecacom
Fusão no microfone, sabes que eu causo, lírico holocausto"

É usual dizer-se que os poetas têm uma linguagem própria. SP & Wilson são tão bons poetas que até usam vocábulos próprios (cocacom/mecacom), duas palavras que nos deixam a pensar (Isto quer dizer alguma coisa ou é só para rimar?). No seguimento destas linhas que envergonhariam Camões, SP assume que causa um lírico holocausto, ou seja, como já morreram todos os judeus vamos matar a poesia portuguesa. SP, conseguiste, parabéns!

"É assim que nos, controlamos voz so com a voz
Damos nós ao teu cérebro atroz,
Tipo uma dama que na cama te quer por o dedo no.....
Nada disso o nosso fetiche é fazer beats"

Mostrando conhecimento da versatilidade estilística da língua lusa, surge-nos uma bela anáfora com a palavra "voz" na profunda expressão "controlamos voz só com a voz". A seguir a este momento de poesia, somos brindados com um momento de liberalismo sexual em que nos é apresentado o perfil de certas "damas" na cama e o fetiche dos Sp & Wilson. Portanto, esta é o novo estilo poético nacional: utilização de terminologia sexual para estabelecer comparações magníficas.

"Segundo verso, não serei tão controverso
Tipo, concedimento do casamento a dois do mesmo sexo"

Decidimos não analisar o refrão, uma vez que para analisar poesia é necessário analisar palavras, o que é complicado de encontrar neste refrão. O segundo verso inicia com uma permissa sobre a não-controvérsia que nos vai ser rimada. Mais uma vez é utilizada uma comparação que roça os limites do sublime, mostrando-nos SP e Wilson que se mostram atentos à sociedade e à opinião da mesma sobre o casamento homossexual.

"Dão-nos so 1 microfone, te deixamos stoned
Com o nosso som, que te conquista o corpo
Sejas tuga ou camone, africano ou Asian
Sabes que não consegues resistir ao nosso ritmo...."

Mais uma vez, poetas com um naipe inesgotável de recursos estilísticos, a enálage também não foi esquecida (quem não sabe o que é, procure no google "recursos estilísticos" e abra o terceiro link que foi isso que eu fiz). E depois utilizam-se doi estrangeirismos de duas formas: uma aportuguesada (camone) e outra com a escrita originária (Asian)!

"Assente, sente o indecente consente, puto sente, consente o puro sound sem ser o sempre centro das atenções, eu dispenso apresentações, só penso em gravações"

Raptor entra na música e tira logo da cartola um belo recurso estilístico, a assonânica! Repare-se que a frase não faz o mínimo sentido mas fica engraçada com este embelezamento.

"Quando estamos juntos bro
Arrebentamos juntos, oh!
Porquê que me confundes, oh!"

Raptor mostra que é um apaixonado da língua portuguesa e que lhe reconhece todos os defeitos e limitações. É comum dizer-se que é complicado rimar em português e para nos explicar isso, Raptor rima bro com oh e novamente com oh. Raptor mostra também uma grande coerência porque todas as suas frases têm algo em comum: não fazem sentido!

Para apreciar o videoclip desta música é só clicar em http://www.youtube.com/watch?v=w9YyFRukrec e ainda têm a possibilidade de comtemplar parte da música "Aqui para Ficar" que oferece momentos poéticos de alto nível como "OHHHHH portanto não Compliques/OHHHHH não venhas aqui com shits"

3 comentários:

Luís Soares disse...

ri-me bastante com este blogue. força nisso.

D.Sebastião disse...

Bom chamar-te de estúpido seria sem dúvida um enorme elogio, não pretendo descer tão baixo como as tuas análises, que são, passo a expressão: asnáticas. Meu caro amigo, antes de criticares esta música, devias ter feito o T.P.C. e informares-te melhor acerca deste estilo musical e dos objectivos que algumas canções têm. A música não pretende ter um grande conteúdo lírico, isso é um facto que qualquer pessoa minimamente inteligente consegue observar, para que saibas existem grandes músicas de grandes músicos que até têm um conteúdo lírico bem inferior a esta, dou te o exemplo do fantástico James Brown na sua canção “Get Up”. A componente lírica numa música não é tudo, no Jazz por exemplo existe o scat, também vais comentar o conteúdo lírico do scat? Numa canção há que ter em conta diversos aspectos, mas pronto como tu és uma grande sumidade que opina sobre tudo, decerto que estás a par destes pormenores, só é lamentável não o demonstrares. Realmente não faz sentido nenhum comentar ou querer fazer coisas das quais não se tem conhecimento ainda para mais quando se utilizam ferramentas de pesquisa do género do Wikipédia. Mas este vai sendo já um típico hábito português: o de opinar sobre todas as áreas (comportamento visível nas conversas de café e não só), por isso é que Pseudo- Engenheiros fazem leis e comentadores políticos são treinadores de bancada.
Quando estes jovens fizeram esta música não a fizeram a pensar em ganhar o prémio Nobel da literatura, fizeram uma música bem-disposta direccionada para um determinado contexto. A letra do Raptor não faz sentido algum ou tu é que não tens o calo suficiente para atingir o que o Raptor diz na música? Quando fazes esse “copy paste” defeituoso da letra, enganaste repetidamente, devias ter cuidado pois nem te deste ao trabalho de ouvir a letra com atenção, porque o que ele diz nessas passagens não coincide com o que está transcrito no teu blogg. Cheira-me que não és grande adepto deste estilo musical e jogas baixo quando tentas difamar artistas que dele fazem parte. Enfim não me quero alongar neste aspecto porque não é isso que está aqui em causa.
Relativamente aos estrangeirismos usados por parte do SP, qual é o teu problema com isso? Que eu saiba a nossa língua está repleta deles e ninguém se queixa, utilizar isso numa música é algum problema? Porquê? Francamente, mas que tacanhez do piorio. Uma nota, meu caro, formula melhor os teus post´s, renova as tuas fontes e não deformes a simpática ideologia política que defendes com essa tua arrogância primária.

Sansão Gomes disse...

Caro D.Sebastião, em primeiro lugar queria agradecer a visita ao blog e a sincera opinião (contrária à de muita gente que se sente incomodada mas que se mantém na postura de palmadinhas nas costas pela frente e facadas por trás). É este o género de críticas que faz continuar a escrever, porque além de sustentadas e construtivas representam a democracia no seu estado mais puro: o livre e aberto debate ideológico.
No direito ao contraditório que me assiste e também pelo respeito ao comentário, sinto-me obrigado a responder às críticas e esclarecer certos pontos que me parecem nebulosos, ou não estaríamos a falar exactamente de D.Sebastião.
A parte dos TPC foi mais que feita e esta música é uma que me apraz bastante. A nível musical é irrepreensível (aliás, o próprio album Barulho (que eu tenho original) tem uma sonoridade bastante renovadora no panorama do rap nacional) mas a ideia não é criticar a música, mas sim fazer uma paródia divertida (ou asnática, como preferir) com a sua letra. Obviamente que esta música (tal como este blog) não pretende receber o Nobel da Literatura mas é notória a falta de qualidade lírica. Mesmo não sendo o SP o maior poeta do rap português a diferença deste tema com outros do mesmo álbum como Minha Life, Beautiful, Sente Mo Stile é bastante grande. No entanto, repito, a ideia é apenas brincar com isso.
Quanto ao meu conhecimento sobre o rap, foi uma crítica infundada, dado que é o estilo de música que mais me caracteriza e sobre o qual recai a minha preferência.
A crítica sobre a letra mal escrita foi óptima: era exactamente minha intenção estupidificar também os sites de letras que andam por aí a por as letras todas mal. Ainda bem que estava atento e agora é capaz de atingir essa minha subtil ironia.
Por fim, se a minha ideologia política é o único motivo que leva Coisas Muito Estúpidas a Alcácer Qibir tenho muita pena pois preferia um público apenas focado na lírica de escárnio aqui praticada. Quanto às acusações de tacanhez e arrogância não me revejo nelas e caso fossem reais eu não estaria a responder a isto. A formulação dos meus posts e as fontes que pesquiso vão-se manter até porque penso que são as mais indicadas para esta minha incursão no mundo do estúpido.
Torno a agradecer o tempo perdido e a expressão da sua opinião, que apenas contribuiu para tornar este blog mais rico. A minha resposta, essa, tornou-o ainda mais estúpido.

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