5 de abril de 2020

Raios fodam a puta que pariu o caralho mais velho

Recentemente foi abordado neste espaço uma expressão das mais grandiosas da língua de Camões, “puta que pariu”. Sabemos nós que brotam várias expressões interessantíssimas em que os palavrões ganham uma outra vida - por exemplo “caralho” assume uma forma diferente se for “o caralho mais velho” ou se fizer parte da “cara de caralho”. Por não tão poucas vezes, os menos avisados, nomeadamente esta geração habituada a emojis e expressões inglesas viralizadas por um gordo barbudo que vive de pranks e de por iPhones numa liquidificadora, não sabem como nem quando empregar um belo “1000 caralhos me fodam”, por exemplo. Como o desemprego vai assolar o país após esta crise, ficam aqui exemplos de emprego de algumas das melhores e mais sujas expressões que os maiores caras de caralho do mundo inventaram:

1000 Caralhos me fodam
Tradução literal: desejo que 1000 pénis me penetrem com força
O que significa: sou capaz de fazer determinada tarefa
Exemplo de utilização: 1000 caralhos me fodam se eu não vou daqui a Lamego em menos de meia hora

Cara de caralho
Tradução literal: uma face em forma de pénis
O que significa: insulto indiscriminado
Exemplos de utilização: oh cara de caralho, não viste que o frango estava a queimar?; andam aqui estes caras de caralho que nem sabem conduzir

Caralho mais velho
Tradução literal: o pénis mais idoso
O que significa: muito longe
Exemplos de utilização: Pensava que daqui lá eram 15 minutos e afinal aquilo ficava no caralho mais velho

Puta que pariu
Tradução literal: uma meretriz que deu à luz
O que significa: isto é fora do comum
Exemplos de utilização: puta que pariu esta chuva que nunca mais pára; puta que pariu o Ronaldo sempre a marcar golos

Raios te fodam
Tradução literal: que relâmpagos te destruam
O que significa: não tens categoria
Exemplos de utilização: raios te fodam, pensavas que chegavas a Lamego em menos de meia hora, já passou uma hora e tu nada

Tesão de mijo
Tradução literal: enrijecimento do pénis por estar cheio de urina
O que significa: auto-confiança injustificada
Exemplos de utilização: marcaram um golo cedo, ficaram com a tesão de mijo mas na segunda parte levaram 5 batatas

Todo fodido
Tradução literal: estragado por completo
O que significa: muito bêbedo ou estragado por completo
Exemplos de utilização: cheguei a casa todo fodido, ainda fui vomitar; este carro está todo fodido, não anda nada

Vai para o caralho
Tradução literal: dirige-te para o pénis
O que significa: não te quero ver por perto
Exemplos de utilização: vai para o caralho que já estou farto de te ouvir

Vai um portugês e um espanhol

-Trouxeste as compras todas?
-Quais compras?
-As que eu te pedi.
-Acho que sim, não sei. Eu estou sempre a esquecer-me das coisas. Como é que eu me chamo?
-Zé, não é ?
-Zé ou José?
-Deve ser José, nunca vi o teu cartão de cidadão mas ninguém se chama Zé, pelo menos em Portugal.
-Achas que não? Apostarias nisso?
-Eu não gosto de apostas.
-E eu não gosto de rojões.
-E o que tem isso a ver com o assunto?
-Apostas ou não?
-Não. Tens aí o teu cartão de cidadão para veres o teu nome?
-Tenho mas se tu dizes que é Zé eu confio. Ou José, não é por aí.
-Não é por aí o quê?
-O caminho.
-A sério oh Zé tu nem te lembras de como te chamas e a nas que te lembras do caminho.
-Que caminho?
-Não é melhor ires a um médico?
-Não, mais vale ir a um restaurante que já estou com fome.
-Não estava a dizer agora. Depois...
-Pronto então depois eu penso nisso.
-Qualquer dia esqueces-te de respirar.
-Qualquer dia esqueces-te de respirar.
-Para de ser criança!
-Para de ser criança!
-Tens 8 anos?
-Tens 8 anos?
-Sou mesmo burro.
-Pois és.
-Então agora já não repetes?
-Já não repito o quê?
-O CARALHO!
-Adoro quando as pessoas chateadas dizem caralho.
-E um murro nesse focinho não adoras?
-Tem calma. Ainda falta muito?
-Então já não sabes o caminho?
-Nunca soube. Falta muito?
-Falta.
-Nem te toquei. Falta de quê? Sempre a roubar este árbitro.
-És mesmo benfiquista.
-És mesmo benfiquista.
-Pareces uma criança!
-Quem o diz quem o é.
-Deus me dê paciência...
-Eu sou criança mas tu é que tens um amigo imaginário.
-Não se brinca com Deus...
-Porquê? Ele tem mau perder?
-Claro que não.
-Então e não se pode brincar com ele porquê? Se está em todo o lado também está nos parques infantis.
-Pronto, pode-se brincar com Deus. Satisfeito?
-Não, ainda falta muito?
-Perguntaste isso ainda agora.
-Não foi agora, foi há bocado.
-Mas ainda falta muito, sim.
-Que bom, estou a adorar esta viagem.
-Eu também, vigem de sonho mesmo...
-Estás a falar a sério?
-Claro que não, chato.
-Chato és tu que só tens conversas de velho.
-Aposto que nem te lembras da minha idade.
-Mas tu não gostas de apostas!

Conversa de Igreja

Tomou o cálice, pegou e deu aos seus discípulos dizendo:
-Tomai todos e comei. Este presunto estava em promoção no Lidl.
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O pão nosso de cada dia nos dai hoje que amanhã já sabe a ranço.
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E por nós homens, para nossa salvação, desceu dos céus, encarnou pelo Espírito Santo, virou na segunda à direita e quando chegou à rotunda já não sabia o caminho.
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Avé Maria, cheia de graça, mijei-me a rir com ela.
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-O senhor esteja convosco.
-Ele está no meio de noz
-Ele está no meio de amêndoa.
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Deus todo poderoso tenha compaixão de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna mas veja lá quanto cobra senão chamo um uber.
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Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, dai-nos uma parte da costela sem gordura.

23 de março de 2020

Uma história de amor

Era aquilo que a sociedade poderia chamar de “cãozinho bom” se a sociedade se lembrasse de por assim nomes por dá cá aquela palha mas desinfeta-a primeiro se faz favor. Prestava atenção e obedecia a tudo o que o dono lhe dizia, fosse isso “senta”, “tá quieto”, “dá a pata”, “preciso que me compres 30 pacotes de papel higiénico”, “tou todo mamado, para quê é que bebo?” entre muitos outros exemplos de conversas que só dá para ter entre um dono e um cão ou entre José Sócrates e Carlos Santos Silva.
Eles eram felizes - o dono que se chamava Pipoca e o cão que se chama José Manuel de Freitas da Silva. Mesmo o facto de ter um nome tão comprido (todos nós admitiríamos que o “de” antes de Freitas e o “da” antes de Silva são excessivos, mas foi assim que o Pipoca lhe quis chamar e na verdade quem somos nós para julgar o nome que alguém dá ao cão que adoptou, alimentou, cuidou e educou?) nunca foi impedimento de responder à primeira chamada- este cão era também o sonho de qualquer operador de um contact center de telemarketing se fosse capaz de pelo telefone aceitar a mudança de operador de serviços de televisão, internet e comunicações. A vida destes dois podia ser chamada de mar de rosas se o Pipoca soubesse nadar ou se pelo menos houvesse evidência científica que as braçadeiras são tão eficientes num mar de rosas como são num mar normal.
Quem vem a ler com atenção estará à espera que agora venha uma reviravolta, um “mas” que vire esta história ao contrário como se esta história fosse a bandeira portuguesa e o seu autor o Cavaco Silva antes de se enfiar no sarcófago. Como é óbvio, vocês estão cheios de razão, não fossem vocês todos gente inteligente, com bom gosto, família bonita, carro bonito e casa com muito espaço à volta para que a canalha ande a correr dum lado para o outro e chegue ao final do dia cansada demais para fazer birra na hora de comer a sopa. Vamos lá então virar o bico ao prego, que é como quem diz vamos lá ver como é que o Pipoca e José Manuel de Freitas da Silva deixaram de ser essa dupla imbatível, como é que eles deixaram de ser o Maradona e o Canniggia do século XXI, e é bom que isso venha depressa que os tempos não estão para perder tempo, todos nós temos coisas mais úteis para fazer.
Então um dia foram ver o jogo do Régua com o Abambres - claro que eles estavam pelo Régua, só quem nunca viu o MÁGICO LEONEL AZEVEDO com a bola nos pés poderia querer outra coisa que não uma goleada das antigas, do tempo em que farmácia era pharmacia e que ainda havia respeito, com os jogadores do Abambres a saírem mais rebentados do campo do que a Bárbara Guimarães saiu do casamento . A bancada estava ao rubro, os tambores não se calavam, a relva estava regada, os presidentes estavam já bebedos do almoço antes do jogo, tudo estava pronto para um recital de futebol. Tudo menos o José Manuel de Freitas da Silva que desta vez não queria saber da bola desde que viu uma beagle a ostentar uma t-shirt antiga do Abambres ainda com o patrocínio da McDonald’s. Aquela beagle, diziam que se chamava Bianca, era tão encantadora que a palavra encantadora parece impotente para caber em si todo o encanto emanado, o José Manuel de Freitas da Silva era agora um poeta à procura de palavras novas se bem que se formos a ser verdadeiramente rigorosos de pouco lhe serviam já que um cão não as consegue falar ou escrever.
Vamos agora saltar um bocado desta história e fazer um resumo do que aconteceu naquela tarde no Muncipial Artur Vasques sem nos perdermos em pormenores que não interessam nem ao menino Jesus nem à Cristina Ferreira - o José Manuel de Freitas da Silva abordou a Bianca e além de levar uma tampa e ganhar conhecimento que ela já estava prometida a um pitbull chamado Hulk, ainda foi mordido.
Aí José Manuel de Freitas da Silva deixou de ser um cão de respeito, juntou-se às más companhias, preferindo o prazer instantâneo da rua aos carinhos sinceros do pobre Pipoca. Aqui é quando a história fica mesmo triste, tão triste que nem a vamos acabar. Em vez disso, uma anedota:
-senhor doutor nasceram-me estes pelos todos, de quê é que eu padeço?
-você padece um udso

Sortuda a Rita Pereira

João Lima Telles é obeso desde os 5 anos. As suas semelhanças com o Boneco da Michelin já lhe valeram muitos dissabores mas também entradas gratuitas em eventos. Desde que se habituou à torre de Pizza ao pequeno almoço ganhou uma sensibilidade literária que desconhecia. É verdade que o facto de não caber em nenhuma porta lhe aguçou a escrita.
Desenvolveu uma paixão incurável pela Rita Pereira e todos os dias lhe dedica poemas no Instagram, uns bons, uns assim assim e outros que fazem o satélite de comunicações móveis pensar “a sério que ando aqui eu a milhares de quilómetros de casa a comer com meteoros no focinho para este otário escrever isto?”. Os melhores foram selecionados para uma edição especial de cupcakes de farinha de mandioca. Antes de irem para as prateleiras mais hipsters do país, podem lê-los aqui:

Rita tu és mais doce que nutella
Lambuzar-me-ia com a tua pele
Pergunto como podes ser tão bela
Vales mais que as ações da Taco’s Bell

Quem me dera que fosses um ecrã tátil
Meu rico presunto de cura selecionada
Escolher-te como mulher é tão fácil
Como escolher entre batatas e salada

Tanta perfeição deixa-me incapaz
Olho-te e não encontro qualquer falha
Quem me dera um dia ter-te à Brás
Para te acompanhar com batata palha

Isto também não é assim

-Onde já se viu agora estes gajos pensam que são não sei quem para se virarem para mim “ah e tal mas como é que é? Pensa que isto é o quê?”
-Vá, acalme-se que eles também não fizeram por mal.
-Não fizeram por mal, fizeram por bem, quer-me dizer? Ouça eles não sabem com quem é estão a falar
-Pois não devem saber
-Não sabem mesmo. E garanto-lhe já que isto não fica assim. Ai não fica não.
-Vá, tenha lá calma.
-Tenho calma nada, se fosse consigo também não ia achar piada. Ou acha que agora isto é assim?
-Pois.
-E digo-lhe mais, é bom que esses gajos não voltem a falar comigo assim que eu não sou os colegas de escola deles.
-Pois não é mesmo.
-Não acha que tenho razão? Esta gente eu não sei onde é que eles pensam que estão.
-Pois tem razão.
-Isso sei-o eu. Já não pode uma pessoa estar sossegada a bater uma punheta na rua!

18 de março de 2020

IRONIA NAS REDES SOCIAIS


Minhas queridas e estimadas lascas de presunto que ficaram esquecidas e que agora estão mais duras que a barriga de um adolescente nigeriano, vamos falar do maior problema que assola a sociedade moderna.
Falo-vos como é óbvio daquelas pessoas que tentam ser irónicas nas redes sociais e a seguir sinalizam essa mesma ironia. São pessoas que colocam frases que normalmente até têm muito pouco de ironia e logo a seguir colocam a hashtag #ironia ou um comentário a dizer “fui irónico”.
Ponto número um: estas pessoas são estúpidas.
Ponto número dois: vou-vos ensinar o que é ironia. Ironia é eu dizer que preferia comer um balde cheio de merda do que ler as vossas publicações. Como é óbvio, por muito estúpidos que vocês sejam , eu ia preferir sempre ler as vossas publicações do que comer merda. Isto é ironia: dizer subtilmente o contrário do que se pensa.
Se logo a seguir vão dizer que estão a ser irónicos, já deixaram de o ser. Irónico, não é?
Para que tudo isto não fique demasiado sério e para vos ocupar com coisas mais interessantes do que perceber se o saco arroz agulha da marca branca do Pingo Doce tem mais ou menos grãos que o saco de arroz basmati Pato Real, fiquem com algumas reflexões e decidam se são irónicas ou não:
a) O melhor do mundo são as crianças. Já dizia o Carlos Cruz
b) A fome é áfrica não é um tema importante. É só uma coisa de crianças.
c) José Sócrates é um homem inocente.
d) Isto do Corona só vai ao sítio com o André Ventura.
e) Gosto muito de estar de diarreia porque sinto que os meus peidos cheiram melhor do que normalmente
f) Se bebermos água de 15 em 15 minutos não matamos o vírus. Só mijamos mais

17 de março de 2020

Puta que pariu


Trago-vos a análise que faltava na língua portuguesa, hoje vamos falar sobre a puta que pariu.
Neste micropaís que se inicia a norte do rio Mondego não faltam no dia-a-dia um belo foda-se ou um caralho, que saltam da boca de todos nós como se a nossa língua fosse um trampolim de palavrões. O palavrão, no norte do país, não é um impropério mas sim um vocativo que dá um colorido tinto às nossas frases.
Mas por mais que tentem, nenhuma veborréia se aproxima da inimitável puta que pariu. Olhando à epistemologia da frase, Puta que pariu seria uma qualquer Tatiana da vida a quem a pressa, o descuido ou a vontade do cliente levaram à não utilização do preservativo. Nove meses e uma baixa sem direito a pagamento da segurança social depois, Tatiana daria à luz um petiz que seria meio filho dela, meio filho do mundo. Consumado o nascimento do filho, dar-se-ia então a Tatiana o título da puta que pariu.
Pois bem, puta que pariu é tudo menos isso. Puta que pariu adjetiva tudo o que é incrível, positivo ou negativo. Puta que pariu é a mais democrática das construções da língua portuguesa.
Puta que pariu mais um recorde de golos do Ronaldo ou puta que pariu este patrão que esperou até às 5 da tarde para me entregar uma pilha de trabalho. Puta que pariu tanto dinheiro que eu ganhei ou puta que pariu esta chuva que nunca mais para.
Puta que pariu para o bem e para o mal, tudo o que é inexpectável, tudo o que ultrapassa os limites da normalidade assenta-lhe bem.
Em suma, puta que pariu isto tudo!

25 de abril de 2015

ela

Observei-a e fixei-me nos olhos. Neles pairava um vazio, como se aquelas pupilas fossem um programa eleitoral do PS. Queria tocar-lhe e saber-lhe os traumas, saber-lhe o caminho, saber-lhe um olhar mais feliz.
Mas quem era eu ao pé dela? Aliás, quem era eu que tinha em mim todo o desejo de a fazer feliz, se ela nem sabia quem eu era? E eu sabia quem era eu?
O mundo e o tempo seguiam o seu caminho lado a lado, de mão dada, como sempre havia sido, desde o tempo do Adão, Eva e Mário Soares. Se o tempo dá um passo, logo o mundo o acompanha. Se o mundo dá um passo, logo o tempo o segue. E eu fiquei imóvel, como se o mundo e o tempo tivessem parado só para dar uma mija. Como se ela fosse mais que o mundo e mais que o tempo e mais que o tempo e o mundo juntos e mais que o tempo e o mundo e eu juntos.
Só a olhava a ela, castelo de melancolia, masmorra de sentimentos, prisão de ventre. E ela, como se ela fosse mais que o mundo e mais que o tempo e mais que o tempo e o mundo juntos, e só não era mais que o mundo e mais que o tempo e mais que eu juntos porque ela não me conhecia, ela, dizia eu, fitava o horizonte. O horizonte dela, que só os olhos dela conheciam. E entre os olhos dela e o horizonte era o mundo dela, o mundo que ela via agora, todo aquele espaço em que se acontecesse alguma tragédia e viessem os jornalistas ela poderia dizer vi, sim senhora.
deus me perdoe mas eu matava por ela e eu nem sabia quem ela era. Muito menos ela sabia quem eu era e, deus me perdoe outra vez, que eu matava por ela. Pior, eu matava-me por ela.
Era o fim da tarde daquele dia. Já perdi o autocarro? Olhei para o relógio, não, ainda tenho cinco minutos. E apressei-me, não sem a fitar uma última vez. E prontos foi isso

21 de agosto de 2014

Carina

-Como é que fazes essa cena?
-Que cena?
-Pá, isso.
-Isso o quê?
-Não posso dizer, não vês que estamos a ser lidos?
-Então mas como é que eu sei do que estás a falar?...
-Não me digas que és assim tão burrinho que não percebes.
-Digo.
-Pronto. Era isto.
Podia ter sido esta a conversa de Ricardo e André na noite em que embarcaram para o resto da sua vida. Mas o ambiente congelava-lhes também as palavras, como se estas fossem estanques, sólidas e não tivessem vontade própria. Isto era só na cabeça deles, as mesmas cabeças que tinham sido massajadas pela noite e pelas mãos de Carina.
Quem é Carina?
Não interessa.
No resto do mundo, naquela parte do mundo que não era a cabeça deles (e que por isso mesmo para eles não era sequer mundo, ou pelo menos mundo que conhecessem), aquilo eram dois homens envergonhados por partirem rumo a um campismo gay.
Então e o que faz a Carina ali no meio?
Não interessa.
-Foda-se.
-Foda-se, o quê?
-Nada.
-Nada não. Agora dizes foda-se do nada? Fala direito, meu caralho que já tens aí os filhos da puta duns dentes.
-Foda-se esta merda. Satisfeito agora?
-Não. Sabes que só fico satisfeito no fim, meu filho.
-Carina, anda cá.
Foda-se, afinal quem é a Carina?
Não interessa.
O mundo não os tinha preparado para isto. O mundo não prepara ninguém para nada. Vem e dá-te uma chapada sem teres pedido, como aquelas professoras primárias que são viciadas em anti-depressivos e depois batem nos miúdos, nos miúdos errados ainda por cima.
Um ex-dono do BES e um médico. Niguém diria que eram gays. Talvez chamassem paneleiro de merda ao primeiro mas mais pelo ódio às sua opções financeiras do que às sexuais.
A Carina foi embora. Espera, quem é a Carina?
Não interessa.
A noite e o sono eram teimosos. Uma não ia, o outro não vinha. E o barco seguia o seu caminho, indiferente a isso, a isso e ao resto, que aos barcos desta vida pouco interessa o que pensa este ou aquele, a menos que estejam a pensar em conduzir o barco.
-Vou-me deitar.
-Posso deitar-me contigo?
-Não.
-Rabeta!
-Até amanhã.
-Que merda de post é este?
 

4 de agosto de 2014

Este post não tem piadas racistas

Era uma vez uma criança da Etiópia chamada Maria. A Maria tem 5 sacos de arroz, deu dois ao Mantorras, com quantos ficou? Com nenhum, acordou e caiu da cama. Depois acordou outra vez, estava só a sonhar que tinha uma cama.
A Maria tinha uma mosca de estimação, que lhe entrava sempre dentro da narina esquerda. Chamava-se Muambo. Era uma querida, entrava-lhe pela narina de forma a não lhe fazer comichão.
Um dia vieram as hienas.Mas era de noite, e por isso não viram a Maria.
Mas a mosca não voltou dessa noite. Fazia vento. A Maria acordou na Somália.
Na Somália não dão as Tardes da Júlia, porque é depois do almoço. Na Somália, não gostaram muito da Maria e queimaram-na. Depois comeram.

20 de dezembro de 2013

E-mail ao Pai Natal

Olá Pai Natal! Espero que receba este email com boa saúde, embora o seu rouco Oh Oh Oh me faça pensar que o tabaco não lhe vai deixar muitos mais anos de vida. Além disso, como alguém que tem a actividade profissional mais intensa numa altura em que todos estão a lambuzar-se com doces e fritos também me quer parecer que o seu colesterol não estará famoso. Apesar disto tudo, continuo a acreditar que dia 24 se apresentará  resplandecente e vivaço pronto a espetar os dentes nas rabanadas dos presenteados (quando digo rabanada refiro-me ao doce também conhecido por fatia dourada em locais onde o português não é devidamente tratado, e não com segundos sentidos sexuais. No entanto, se o Pai Natal pretender espetar os dentes noutras rabanadas, peço-lhe que esteja à vontade, desde que não o faça em minha casa).
Posto isto, tenho uma reclamação a fazer-lhe. A única vez que lhe escrevi alguma coisa foi em 2010 (http://coisasmuitoestupidas.blogspot.pt/2010/12/e-mail-ao-pai-natal.html), de onde constava uma série de pedidos, a saber:
a) A morte de uma determinada docente do departamento de letras da UTAD cujo primeiro nome começa por uma vogal (não digo mais porque não sei quem lê isto mas acredito em na sua omnisciência, Pai Natal, para saber quem é o ser que me atormenta);
b)Um golpe de Estado que transformasse Portugal numa monarquia da qual eu seria o legítimo dono do trono;
c)2 barris de cerveja.
d)Uma jovem de 19 anos, cabelo escuro, 1.65m, olhos verdes, raça caucasiana mas com um tom de pele moreno, medida de sutiã: 36C, magra e com o traseiro saliente, que goste de futebol, saiba cozinhar, seja inteligente, tenha bom sentido de humor e perceba de política;
O pedido a) eu compreendo que não mo tenha realizado porque sabia que eu iria ser avaliado em 14 pela docente em questão. Não obstante o seu falecimento agradar-me-ia bastante, bem como a todos aqueles que não percebem nada de deíticos. O pedido b) foi cumprido em parte, trocando-me a mim pelo prof. Cavaco Silva, o que eu também compreendo porque nesse ano não comi o bolo-rei todo, e todos nós sabemos da sua preocupação com não deixarmos nada no prato. Já relativamente aos pedidos c) e d) continuo à espera 3 natais depois!
Pai Natal, julgo que não está a compreender a importância da situação, eu preciso mesmo dessas duas coisas, pelo que agradecia que não se esquecesse este ano! Relembro-o que já me vesti de si para os meus primos e que seria uma tristeza se eu por acaso durante a distribuição de prendas tirasse a barba e eles percebessem que é uma fantochada. Estamos entendidos?

7 de novembro de 2013

Boa noite

Na escuridão de uma congelante noite, poucos se aventuravam a passear pelas ruas. Desde que o município havia cortado na iluminação pública nocturna que o medo era a companhia de quem saía de casa depois do Telejornal. Entre os poucos corajosos que desafiavam as trevas, conta-se o protagonista desta história. Destemido como ninguém, louco como poucos, corria pela vila na ânsia de encontrar um café com Benfica TV.
Falamos de João Pedro, regressado aos ares que o viram crescer, exactamente três anos depois de ter fugido com a mulher que o viria a trair com o homem dos gelados
-Malditos portistas!- rosnava a cada balcão quando lhe diziam que ali não havia ninguém do Benfica.
Passeava fulo pelos passeios, fulminava os cães com o olhar e soltava umas caralhadas que só a noite escutava. E como que absorvido pelo triste fado de não ver a equipa do coração, (nem sequer saber quantos tentos o Cardozo já apontara) não reparou que alguém o seguia.
Toninho. Entre pataniscas e copos de vinho, em todos os balcões da vila se dizia cobras e lagartos deste homem. Ninguém lhe ousa falar alto, nem nunca houve alguém capaz de contrariá-lo quando afirma que o Paulo Portas é uma pessoa séria e bem intencionada.
(nota: este Paulo Portas não é o vice-primeiro ministro português, é um primo da cunhada do avô dum gajo que conheci aqui há dias)
Estivera preso por três ocasiões. Dois tiros certeiros custaram-lhe dez anos de vida de liberdade, um assalto mal sucedido a uma sex-shop mais três. Não sai de casa desarmado e todos os que o ousaram contrariar em vida não voltaram para contar!
(só foi uma vez que alguém o contrariou e como essa pessoa depois emigrou para o Luxemburgo, ainda não veio nenhuma vez à terra para poder contar)
Sorte a de João Pedro não se ter apercebido da situação. Qualquer homem daquela vila já pingara as calças de medo se ali estivesse, temendo por não voltar a ver os seus.
Ultrapassada a esquina da Funerária Emílio Vasconselhos Unipessoal Lda. João Pedro, olhou sobre o ombro e viu a temível figura.
Disse-lhe boa noite e seguiu caminho.

11 de agosto de 2013

Texto sem título definido (e sem piada também)

Manda a lei da boa educação que se diga senhoras e senhores e não senhores e senhoras. Uma vez uma pessoa enganou-se e disse ao contrário, a sua vida nunca mais voltaria a ser a mesma. Mas não é para falar disso que estamos aqui, estamos aqui porque abrimos o blog nesta página.

No tempo em que os animais falavam e não chegavam a Presidente da República, dizia-se que as cobras tinham má língua. Foi-se a ver e era mentira, mas a verdade nunca foi reposta. ("e oh mais num sei" dizem vocês)
Na verdade, as cobras sempre foram dos animais mais cooperantes. Isto até ao dia em que os dinossauros (dinossaurios na linguagem doutros nativos da língua lusa) votaram no leão para o rei da selva. Depois de uma campanha em que as sondagens davam como certas a vitória do dragão de komodo, o resultado final (1º Leão - 36% se votos, 27 deputados na assembleia da selva; 2º Hiena - 31 % 20 deputados; 3º Dragão de komodo - 26%, 16 deputados, 4º Suricate em coligação com Abelha 10%, 6 deputados) causou celeuma. Os reptéis juntaram-se e criaram um coligação de protesto, rapidamente descredibilizado pelo Rinoceronte, uma espécie de Miguel Relvas, mas com as cadeiras todas feitas.
Desde então, as pessoas pensam mal das cobras porque a verdade foi manipulada. E nunca mais ninguém se lembrou que na campanha o leão tinha prometido assar zebra todas as quintas-feiras!

31 de julho de 2013

Era uma vez no circo

Estavam dois palhaços vestidos de primeiro-ministro e de vice-primeiro-ministro a discutir o seguinte:
-No meio da savana, tinhas mais medo a quê? A um dragão de komodo ou um búfalo?
-Um dragão de komodo?? O que é isso?
-É um animal bué perigoso
-Mas chama-se mesmo dragão de komodo?
-Ya man.
-Que cena. E isso existe em Portugal?
-Não, acho que só existe em África e na Oceania.
-A Oceania? O que é isso?
-Então tu foste ministro dos negócios estrangeiros e não sabes?
-Oh não me fales nisso de ministro dos negócios estrangeiros. Ainda hoje tenho pesadelos com isso.
-Pronto desculpa. Vê lá, não te demitas por causa disto.
-Não. Este ano não me demito mais.
A conversa foi interrompida pelo telefone. Do outro lado da linha estava um amigo deles.
-O meu tacho?
-Que tacho?
-O meu. Já te ando a pedir há não sei quanto tempo.
-Vou falar com a minha mulher. Ela também fica com os tupperwares todos das amigas.
-Ok.
-Era desse tacho que estavas a falar?
-Não...
-Pronto. Então vou falar com outro palhaço. Amanhã liga-me que eu já devo ter arranjado uma coisa porreira para ti.
-Obrigadão. Um abraço.
-Um abraço.

-Este gajo é um chato. Ainda o vou entalar.
-Não faças isso. Vai antes brincar aos submarinos.

(Nota: O que vocês acabaram de ler é uma história de ficção. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência)

12 de novembro de 2012

Fernado, o essencial

Estávamos os dois demasiado enjoados com aquela sandes de atum para puxar o assunto. A casa das sandes devia ser processada dizia ela e eu com aquilo para lhe dizer.
Fomos até casa dela debaixo de chuva, a tortura, a mayonese às voltas eram impulsionadas com o bater das pingas no guarda-chuva. Nunca me sentira assim, enjoado e sem conseguir vomitar. No fundo era uma metáfora de mim, tinha que falar e não conseguia. E na escuridão da tormenta, só desejava tomar um banho quente e descansar. A conversa ia ficar para outro dia. Ainda bem que assim decidi, se da boca nada saía, o mesmo não se podia dizer do meu rabo. E durante uma hora a sanita foi o trono da minha impotência em falar com ela!

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Não consigo, vou escrever-lhe um poema.

Doce Jezebel
Recolhe de meu coração
tod'a minha admiração
do teu sabor a mel

Sempre adorei apicultoras
das quais és a que mais brilha
À noite quando te chamo filha
E levas poucas e boas

Mas nosso amor está condenado
Carrega uma cruz maligna
Que não me resigna
Não me conforma o meu phado

Se o sol hoje me ilumina eu te acuso
de seres a culpada de minha phelicidade
olha agora não sei com o que rimar mais por isso vou-te já te dizer o que ando há bué para te dizer mas ainda não arranjei coragem e daí fazer este poema. então pronto, é assim eu sou alérgico a abelhas. mas eu gosto bué de ti princesinha linda!

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Ficamos juntos e felizes para sempre.

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Quando fizemos 50 anos de casamento ela escreveu-me um poema

Meu velho Fernando
Tantos tempos que vem a meu lado passando
Que para sair à rua já tem de ir de bengala
E quando lhe dói a barriga não se cala!
Guardo todos estes anos com especial ternura
Na mesinha de cabeceira ao lado da tua dentadura
Bons tempos foram aqueles em que o mastro ainda levantava
O veleiro da nossa loucura, hoje já nem com viagra!
Amo-te muito e deixo-te um conselho:
Toma banho que cheiras a velho!

15 de outubro de 2012

O Gushjen foi às compras ao Trustou

O Gushjen foi às compras ao Trustou; eram 5 da tarde quando o rapazinho, a pedido da mãe, saiu de casa para comprar dois quilos de laranjas, dois quilos de arroz e três pacotes de mestifas. Passou por um padre que lhe ofereceu um chupa-chupa, o Gushjen perguntou São de coca-cola? e o padre respondeu que eram de água benta, então o Gushjen disse Não, obrigado e foi à vida dele que era ir às compras ao Trustou porque aquilo fechava às seis e já passava das cinco e meia. Quando chegou lá andava um zombie no corredor dos congelados e um vampiro no corredor dos broicentes, andavam a fazer a promoção dumas séries que davam na TV Cabo mas o Geshjen não os conhecia porque não tinha TV Cabo e desde que tinha havido a a mudança para a TDT nem os quatros canais tinha e por causa disso teve medo e mijou-se todo, e houve uma velha que viu e foi ajudá-lo, levou-o à casa de banho e limpou-o e perguntou-lhe o que ele tava ali a fazer sozinho e porque é que se tinha mijado todo, ele disse porquê e ela explicou-lhe que os zombies e os vampiros não eram a sério, que isso não existia, só nos filmes e assim e ele lá foi outra vez porque já estava quase a fechar e se ele não levasse as compras comia por cima. Na caixa foi atendido por uma gaja boa mas ele não se apercebeu porque como ainda é pequeno não repara nessas coisas, e lá foi ele à vida dele que era ir para casa antes que fosse jouter.

29 de julho de 2012

Diário de Brian

A evolução da ciência é impressionante. Hoje em dia, há especialistas capazes de reproduzir como se de um diário se tratasse os pensamentos de um cão. Isto através da análise dos seus latidos e das marcas que deixa. No entanto, os investigadores pertencem à Companhia (ver Prison Break) e esta tecnologia não está disponível para a população em geral. Apesar de tudo isto tivemos acesso a um teste efectuado a um espécime canino, Brian, um labrador bebé que recebeu o nome pelo fascinío do seu dono em Family Guy. Fiquem assim com um excerto do diário.

12 de julho de 2012
O cromo do meu dono ainda não veio passear comigo, aposto que está ainda a dormir. Vi-o chegar ontem às 6 da manhã e devia estar bêbedo porque ficou quinze minutos a falar comigo e a tentar comer o isqueiro. Agora vai dormir até às duas da tarde e eu não passeio... Hoje apetecia-me mesmo dar uma volta, a beagle do vizinho piscou-me o olho. É fofinha, o raio da cadela. No outro dia vi-a a correr atrás dum pássaro toda contente e não me contive, comecei a abanar a cauda como um maluco!

(...)

15 de julho de 2012
Que belo dia que foi hoje! O meu dono levou-me a passear e brincou comigo. Fomos ao parque e ele deixou-me levar a bola fofinha do Mac Donald's. Passámos por um yorkshire pequenino e o meu dono ficou a falar com a dona. Não gostei muito dele, não parecia nada fixe mas a dona fez-me festinhas na orelha como eu gosto. Podia namorar com o meu dono para me fazer mais festinhas!
Depois ainda tive um bocado com o meu dono no quarto dele. Fui para o colo e vi que ele pôs uma foto comigo no Facebook, fiquei logo contente mas não abanei a cauda para não parecer gay. Tinha lá muitos comentários, mas eu não percebo nada do que eles dizem. Era mais fácil escreverem tudo em au au.

(...)

17 de julho de 2012
A gaja do yorkshire veio a casa, o meu dono anda a comê-la. Não trouxe o cão e fez-me muitas festinhas na orelha outra vez. Tem as mamas pequenas mas se ele gosta dela, tá-se bem.
Vi a beagle do vizinho com um caniche. Estou destroçado.


30 de junho de 2012

Apetecia-me escrever uma cena mas não me apetece pensar muito

Assim vou só dizer algumas coisas:

Vira-se um cão para o outro:
-Au! Au!
E o outro cão foi mijar para longe

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Num café estavam o Paulo Portas, o Vítor Gaspar e o Passos Coelho quando de repente a luz foi abaixo.
O dono do café avisou logo:
-Cuidado com as carteiras!

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Ia um português, um francês e um inglês na rua.
O francês e o inglês falavam em inglês, o português não percebia o que eles diziam e foi-se embora.

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O primeiro-ministro preparava-se para baixar os impostos. Depois acordou.

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Um cagalhão diz para outro:
-Que vida de merda!

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O português que se tinha ido embora foi mijar a um canto.
Apareceram logo mais dois ou três.

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De repente ficou bué calor.
345430 pessoas assinalaram isso no mural do Facebook

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PS: nenhum dos portugueses lavou as mãos

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